Se você ou alguém da sua família está em tratamento oncológico e percebeu uma perda de peso intensa, queda de força muscular e cansaço que não melhora nem com repouso, pode estar diante de um quadro chamado caquexia oncológica. Esse é um dos desafios mais sérios enfrentados por pessoas com câncer, e entendê-lo com clareza faz toda a diferença para buscar o apoio certo no momento certo.

Caquexia oncológica: muito além de “perder peso por causa do tratamento”

Muita gente acredita que a perda de peso durante o tratamento do câncer é apenas um efeito colateral esperado. A caquexia, porém, é um processo diferente, mais profundo e com consequências muito mais sérias para o organismo.

A definição clínica amplamente aceita, publicada por Fearon e colaboradores no periódico The Lancet Oncology em 2011, descreve a caquexia oncológica como uma síndrome metabólica complexa, associada à doença de base, caracterizada por perda muscular com ou sem perda de massa gordurosa. O diagnóstico é considerado quando ocorre pelo menos uma das seguintes situações:

Por que “comer mais” sozinho não resolve

O que torna a caquexia oncológica diferente da desnutrição comum é a inflamação sistêmica provocada pelo próprio tumor. O câncer libera substâncias inflamatórias que alteram profundamente o metabolismo do organismo, acelerando a quebra de proteínas musculares e de gordura, mesmo quando a pessoa está se alimentando de forma adequada.

As diretrizes da ESPEN, atualizadas em 2022, reforçam que o manejo da caquexia oncológica exige intervenção clínica especializada e multidisciplinar, não apenas o aumento da oferta calórica.

As três fases da caquexia oncológica

Pré-caquexia

A perda de peso ainda é pequena, geralmente inferior a 5%, mas já há sinais metabólicos e inflamatórios presentes. A intervenção nutricional nessa fase é a mais eficaz para retardar a progressão do quadro.

Caquexia estabelecida

Os critérios diagnósticos já estão presentes: perda de peso significativa, redução de força e massa muscular, inflamação sistêmica ativa. O tratamento ainda pode trazer benefícios importantes, com foco em desacelerar a progressão e preservar a qualidade de vida.

Caquexia refratária

Nesta fase avançada, o objetivo do suporte nutricional se volta principalmente para o conforto, a qualidade de vida e o controle de sintomas.

O que a nutrição pode fazer pela caquexia oncológica

Nutrição integrada: parte de um time

O tratamento da caquexia oncológica pede uma abordagem que envolva diferentes profissionais: exercício físico adaptado, medicamentos quando indicados, e suporte psicológico para o impacto emocional da perda de peso e mudança na imagem corporal.

Por que agir cedo faz diferença

Quanto mais cedo a intervenção nutricional é iniciada, maiores as chances de preservar a massa muscular, manter a tolerância ao tratamento e proteger a qualidade de vida. Esperar o quadro se agravar reduz significativamente as possibilidades de resposta.


A caquexia oncológica é um dos quadros mais desafiadores do tratamento oncológico. O acompanhamento nutricional especializado faz parte do cuidado multidisciplinar que busca apoiar o estado clínico do paciente em cada fase do tratamento. Atendo presencialmente em Brasília (Asa Norte) e online para todo o Brasil.

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Fontes

Fernnanda Sá

Nutricionista clínica e oncológica · CRN-1 19981
Graduação pela UnB · Especialização pelo Hospital Israelita Albert Einstein · Residência multiprofissional em oncologia pela Secretaria de Saúde do DF · Título de especialista pela SBNO

Atendimento presencial em Brasília e online para todo o Brasil. Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta individual.

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