Alimentação na recuperação pós-tratamento oncológico

O tratamento acabou. E agora? Para muitos pacientes, o fim da quimioterapia ou radioterapia traz alívio, mas também uma dúvida real: o que comer a partir de agora? Como recuperar o que foi perdido? Existe alguma dieta que reduz o risco de recidiva?

Essas são perguntas legítimas, e a nutrição tem um papel concreto nessa fase.

Recuperando o que o tratamento consumiu

A maioria dos pacientes termina o tratamento com algum grau de depleção nutricional: perda de massa muscular, deficiências de micronutrientes, alterações na composição corporal. A recuperação não acontece automaticamente só porque o tratamento parou.

A prioridade inicial é recuperar o estado nutricional: ingestão adequada de calorias e proteínas, correção de deficiências em exames, e retomada gradual da alimentação variada.

Massa muscular: o ponto mais crítico

A sarcopenia (perda de massa muscular) é uma das sequelas mais comuns e impacta a qualidade de vida a longo prazo. Recuperá-la exige proteína suficiente na alimentação e estímulo muscular. A ingestão proteica na recuperação geralmente fica entre 1,2 a 1,5g por quilo de peso ao dia, mas precisa ser avaliada individualmente.

Alimentação e risco de recidiva

Existe evidência crescente de que padrões alimentares saudáveis após o tratamento estão associados a menor risco de recidiva em alguns tipos de câncer. As diretrizes do World Cancer Research Fund para sobreviventes são claras: alimentação baseada em vegetais, cereais integrais, leguminosas e proteínas de qualidade; limitação de carnes processadas, álcool e ultraprocessados.

Isso não significa privação. Significa construir um padrão alimentar sustentável que faça sentido para a sua rotina.

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Fernnanda Sá – Nutricionista Clínica e Oncológica | CRN-1 19981