A náusea é um dos efeitos colaterais mais comuns da quimioterapia e um dos que mais atrapalha a alimentação durante o tratamento. Quando comer se torna difícil, o estado nutricional cai, a imunidade piora e o corpo tem menos recursos para responder ao tratamento.
Existem estratégias alimentares que fazem diferença. Este artigo traz as principais.
Por que a quimioterapia causa náusea?
Os quimioterápicos atuam em células de divisão rápida, incluindo as células da mucosa intestinal. Essa ação estimula a liberação de serotonina no intestino, que ativa o centro do vômito no cérebro. Por isso a náusea é tão frequente e tão consistente entre os pacientes.
A náusea induzida pela quimioterapia pode aparecer de três formas:
- Aguda: nas primeiras 24 horas após a aplicação, tende a ser mais intensa;
- Atrasada: entre 24 e 120 horas após a quimioterapia, mais frequente com certos protocolos;
- Antecipatória: aparece antes da aplicação, desencadeada por estímulos que o cérebro associa ao tratamento (cheiros, ambientes, sons).
Estratégias alimentares para reduzir a náusea
Coma em pequenas quantidades, com frequência
O estômago vazio piora a náusea, mas refeições grandes demais também sobrecarregam. O caminho do meio funciona: 5 a 6 refeições pequenas ao longo do dia, sem deixar muitas horas sem comer.
Prefira alimentos em temperatura ambiente ou fria
O calor intensifica o odor dos alimentos, e o olfato é um gatilho importante de náusea. Saladas, iogurte, frutas geladas e sanduíches costumam ser muito mais tolerados do que preparações quentes.
Evite deitar logo após comer
Ficar sentado ou em pé por pelo menos 30 minutos após as refeições facilita o esvaziamento gástrico e reduz o risco de náusea e refluxo.
Ventile o ambiente durante as refeições
Cozinhar com janelas abertas, evitar ficar na cozinha durante o preparo e optar por preparações com pouco odor são ajustes simples que ajudam bastante.
Evite frituras e alimentos muito gordurosos
Gordura retarda o esvaziamento gástrico, mantendo o estômago cheio por mais tempo. Nos dias mais difíceis, preparações simples funcionam melhor: cozido, grelhado, assado.
Alimentos que costumam ser bem tolerados
Não existe uma lista universal, o que cada paciente tolera varia muito. Mas alguns alimentos aparecem com frequência como os mais fáceis de comer durante períodos de náusea:
- Biscoito de água e sal, torrada, pão simples, especialmente logo ao acordar antes de levantar;
- Frutas geladas (maçã, pera, melão, melancia);
- Iogurte natural e vitaminas frias;
- Caldos e sopas em temperatura morna;
- Arroz, batata cozida, frango desfiado no caldo;
- Água com rodelas de limão ou folhas de hortelã para refrescar o paladar.
O papel do gengibre
O gengibre tem evidências científicas para náusea induzida por quimioterapia. Uma revisão publicada no Supportive Care in Cancer mostrou que seu consumo reduziu significativamente a intensidade da náusea em pacientes oncológicos.
Formas de usar: chá de gengibre fresco, água com rodelas de gengibre, balinhas ou cápsulas. Converse com sua nutricionista sobre a dose e a forma mais adequada para o seu caso.
Quando a náusea compromete a alimentação por mais de 2 dias
Se a náusea está impedindo qualquer alimentação por mais de 48 horas, comunique a equipe médica e a nutricionista. Nessas situações pode ser necessário:
- Ajuste nos antieméticos pelo oncologista;
- Introdução de suplementação oral específica para oncologia;
- Em casos mais graves, avaliação de suporte nutricional enteral.
O papel da nutricionista oncológica é avaliar se o estado nutricional está sendo comprometido e acionar as estratégias certas antes que a desnutrição se instale.
A náusea muda a cada ciclo
Muitos pacientes não sabem disso: a náusea varia entre os ciclos de quimioterapia. O organismo reage de forma diferente a cada aplicação, e os dias de pico de náusea costumam mudar ao longo do tratamento. Por isso o plano alimentar precisa ser ajustado semana a semana, não ficar o mesmo por meses.
Se a náusea está dificultando sua alimentação durante o tratamento, entre em contato. Atendo presencialmente em Brasília (Asa Norte) e online para todo o Brasil.
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Fernnanda Sá
Nutricionista clínica e oncológica · CRN-1 19981
Graduação pela UnB · Especialização pelo Hospital Israelita Albert Einstein · Residência multiprofissional em oncologia pela Secretaria de Saúde do DF · Título de especialista pela SBNO
Atendimento presencial em Brasília e online para todo o Brasil. Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta individual.